sábado, 25 de outubro de 2008

Amanhã acontecerá a festa da democracia.

Diria inclusive que é uma festa circense, onde os palhaços são os eleitores.
Desde as músicas até as promessas, tudo trata o eleitor como um completo tapado.
O pior é que a maioria realmente é.
Praticamente não existiu programa de governo, apenas acusações e músicas, quando não músicas acusando. O único plano de governo que me foi mostrado, veio do candidato tucano Carlos Roberto, cuja equipe teve a brilhante idéia de produzir um DVD, ainda que de forma simples e que pode ser bem melhorada e melhor aproveitada no futuro, com sua propaganda eleitoral. Uma de suas propostas foi a implantação do bilhete único na cidade, que cá pra nós está precisando urgentemente de gestão de trânsito, que se por acaso existe, é ineficiente.
Entre minha casa e meu trabalho eu gasto menos de uma hora a pé, de ônibus, é gasta pelo menos meia hora, quando eu ia pra faculdade que por sinal fica próximo ao meu trabalho, eu não gastava menos que uma hora. De carro, em um dia sem trânsito, leva menos que dez minutos.
Pois bem, o candidato rival teve a mesma idéia no segundo turno, prometendo para o próximo mandato. Então me veio o raciocínio:
O bilhete único foi criado durante a gestão da companheira de partido do atual prefeito, Marta Suplicy. Cá pra nós, foi uma boa idéia, pode ser usada tal idéia em Guarulhos também, colocando as vans como complemento do transporte e não como concorrência. É claro, as Vans também precisam ser fiscalizadas, pois a maioria trabalha de forma insegura. Enfim, a Marta saiu, entrou o Serra, passou pro Kassab e a idéia lá foi levada adiante.
E Guarulhos?
Bom, pra Guarulhos, o candidato do PT que tem o apoio do atual prefeito promete que em sua gestão existirá o tal do bilhete único, promessa que não seria feita se não estivesse na proposta do candidato rival, ele ainda promete para o próximo mandato, ou seja, dentro de quatro anos, só no próximo mandato, pois em oito anos de gestão não se pensou em mover um papel sequer para a melhoria do transporte e essa proposta não existia até então. Cheguei a conclusão que o atual prefeito é incompetente, desinteressado ou simplesmente burro, ou ainda seja o povo o burro da história, pois o re-elegeu, se o povo re-elege não precisa melhorar, o povo está satisfeito, a voz do povo é a voz de Deus.
O mais estranho disso tudo, é que o povo mesmo sendo saqueado no IPTU como foi logo no início da gestão do atual prefeito, não tendo melhorias equivalentes, ainda quase elegeu no primeiro turno o seu sucessor.
Tivemos nada mais nada menos que 100% de aumento. Não estou exagerando, foi exatamente esse o aumento, isso sem contar casos como o da casa minha mãe, onde foi encontrada uma dívida de poucos centavos de sabe-se lá quantos anos atrás e que hoje chegam a uma quantia de quatro dígitos.
Existia um centro profissionalizante próximo ao centro da cidade, onde eu estudei aos 16 anos, não era um centro de tecnologia, mas já era um lugar onde aprender uma profissão. Em lugar de investimentos, que seriam nada mais nada menos que justos, pois aumentaram a arrecadação, o lugar foi transformado numa secretaria (lê-se cabide de empregos).
As ruas de Guarulhos que estavam exatamente iguais há quase quatro anos, quando o atual prefeito fez diversas obras para alavancar sua re-eleição, foram curiosamente re-capeadas, pintadas e sinalizadas às vésperas da eleição. Acreditem, existe até um semáforo em um cruzamento de uma rua quase deserta com uma viela. Nessa mesma rua, onde é permitido estacionar, existiu sinalização que obrigava os motoristas a andarem nos cantos da rua, obrigando os mesmos a optar por passar sobre a sinalização ou colidir com os carros estacionados. Um exemplo de falta do que fazer com o dinheiro público.
Obviamente, só se trabalha nessa prefeitura de quatro em quatro anos, os outros três são férias remuneradas.
Poderiam fazer eleições anuais para obrigar os caras a se mexerem todos os anos.
Outro ponto curioso foi o constante estreitamento de ruas e a transformação de uma rua que atendia diversas linhas de ônibus em calçadão, transferindo todo o trânsito para uma rua paralela e obrigando os coletivos a fazerem um trajeto maior que não serve pra absolutamente nada além de prolongar a viagem.
Em outras palavras, a gestão atual foi uma catástrofe, mas o povo ainda aprova. Às vezes vejo o povo daqui como uma pessoa que tem uma casa feia, desarrumada e desconfortável, mas que a acha maravilhosa e ainda aprova a compra de uma cortina por R$100.000,00, pois nunca esteve numa casa bonita, confortável, organizada e sobretudo, não tem noção de que pagou essa quantia pela cortina. Algumas melhorias foram realmente feitas, mas nada que justifique o aumento sofrido nos impostos. A atual gestão é simplesmente ruim.
Um exemplo de como o povo gosta de ser passado pra traz, é uma obra de construção de uma creche, que desde que foi iniciada, tem apenas alguns materiais no terreno e uma placa imensa. Acredite, existem pessoas com intenção de votar no candidato apoiado pelo atual prefeito para que a obra seja concluída. Se o Brasileiro tem memória curta, Guarulhense tem memória violável, o marketing tem o poder de entrar na memória do povo e modificar o que tem lá.

Um ponto bizarro visto nessas eleições, é uma espécie de evangelização do eleitor, onde se coloca o candidato como um semi-deus, passando por uma dessas mulheres que ganharam a vida nas esquinas durante essas eleições, ouvi uma comentando com a outra com uma devoção digna de um cristão.
“Nossa fulana, quando passa esse carro do PT eu sinto uma coisa ruim, mas daí eu penso que Carlos Roberto é mais e me sinto melhor.”
Eu quase tropecei quando ouvi isso. Fiquei imaginando se ela de repente curtia um velhinho barrigudo, vai saber, tesão é tesão né, cada um tem o seu.
Poucos passos à frente, passei por um carro do PT, onde um homem dizia aos berros que o Candidato tucano não servia pra Guarulhos, pois ele era empresário e tinha muito dinheiro, que por isso não ligaria pra cidade.
Então me veio à mente aqueles questionamentos do tipo “racismo é só quando um branco discrimina um negro ou um negro que discrimina um branco é racista também?”.
Discriminação social é só quando um rico discrimina um pobre ou quando um pobre discrimina um rico também?
Um outro questionamento que me veio á mente foi:
O que a posição social do candidato influencia da sua capacidade de gestão e propostas? Que é o que realmente deveria ser avaliado.
Mas o ponto alto da estupidez foi quando começaram as músicas de provocação entre os partidos. Começou com a música do Carlos Roberto:
“Está batendo o desespero Olê! Olê! Olê! O PT vai perder!”
Achei engraçado por se tratar de Guarulhos, afinal, aqui tudo pode acontecer. Mas ao mesmo tempo achei patético, tão patético quanto à reunião com moradores promovida pela prefeitura há uns anos atrás, onde o povo fazia pedidos absurdos (e até inúteis) e ainda por cima votavam em mais de uma alternativa, isso sem contar o grande número de alcoolizados presentes na votação.
Mas o PT do Almeida tinha que superar a babaquice tucana, com uma paródia da marchinha de carnaval de Lamartine Babo e Irmãos Valença, uma paródia irritante que dizia:: “O Almeida é quem vai ganhar”.
Proposta? Projeto? Planos para gestão? Pra quê? Afinal, o foco aqui é ganhar, nada mais.
Pois é, virou circo.
Virou carnaval.
Virou tudo, menos campanha eleitoral.
De um lado temos um candidato com propostas copiadas e o apoio de um prefeito incompetente, cujas duas gestões foram menos proveitosas que meia gestão de certos prefeitos de outras cidades.
De outro, temos um candidato com divulgação constante, mas ineficiente, que no inicio apresentava propostas e depois passou a ter uma campanha patética, focada em provocações. Um candidato que surpreendeu por estar no segundo turno, pois aparecia como terceiro nas pesquisas, não mostrou muito sobre sua vida política, mas pelo menos se mostrou interessado em mostrar seus planos, suas propostas, mas encheu o saco.
Isso sem contar os panfletos entregues por ambos os partidos, onde o PT usava o nome do Candidato Candido Jovino para fazer acusações contra o candidato do PSDB e o PSDB usava o mesmo candidato para fazer acusações contra o PT.
Em uma análise fria de ambos, eu não votaria em ninguém. O Almeida seria a confirmação de uma gestão ruim, seria a aceitação do erro por mais quatro anos, o Carlos Roberto seria um tiro no escuro, ainda que as idéias de incentivo à profissionalização propostas por ele sejam boas.

Não estou aqui tentando ser imparcial, mesmo porque não há como ser tratando de uma gestão ruim, sei em quem não votar, mas não tenho convicção de que o rival daquele que eu não aprovo como prefeito seja tudo aquilo que ele diz ser.

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